23 novembro 2009

Reclamando por Seus Direitos

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A grosso modo, um cidadão é aquele que cumpre suas obrigações e sabe e possui seus direitos. E quanto as obrigações, temos os impostos que o Governo cobra com zelo, com uma carga tributária massacrante no Brasil e sem a menor esperança de "surgir uma tendência de queda". Por outro lado, as questões dos direitos é utopia, no qual o cidadão tem 2 principais problemas:
1. conhecer seus direitos;
2. mecanismo de cobrar seus direitos.

Por que não criam um site, e fazem uma lista clara e simples, de todos os direitos; no qual, você pode, na frente de cada um colocar (direito recebido ou não), ou algo do tipo (satisfatório / não-satisfatório). E ao mesmo tempo um mecanismo simples, claro e efetivo de se cobrar por esses direitos. Pois nos atuais moldes, é uma burocracia tremenda, preciso recorrer a advogados muitas vezes, ter gastos; de modo, que dependendo é melhor "sofrer o prejuízo".

Mas nós consumidores, como podemos cobrar nossos direitos? Eu recomendo o seguinte:

1. Seja curto, "grosso" e chato.
Seja mais ou menos assim com a empresa/atendente: "Se você não sabe resolver, me passe para quem resolve." ou "Como resolvemos isso agora?" ou "Como serei ressarcido?"
2. Cobre uma multa. Se a empresa não querer ressarci-lo. Cobre uma multa. Aliás, você foi prejudicado. Isso é uma "lição", "castigo" por não cumprir os compromissos e contrato. E um exemplo de ressarcimento é você cobrar o "proporcional". Sempre faça essa cobrança financeiro e não apenas "implore" para que cumpram o que deveriam cumprir. Outro detalhe, ao ligar para Ouvidoria, SAC, Reclamações, ou seja lá o número que não seja 0800, pergunte se está sendo cobrado e pulsos e diga que irá querer ser ressarcido tais. (seja chato)
3. Ameace de verdade. Não dê tempo para a empresa te enrolar. Tempo é dinheiro. ("Time is money.") Você está sendo prejudicado. Se de imediato a empresa não resolver o problema ou não tomar medidas efetivas, então diga: "Ok. Então estarei acionando os órgãos responsáveis do Governo dos direitos do consumidor.", ou "Farei um Boletim de Ocorrência agora mesmo.", ou "Vou reclamar no Procon." - Mas faça!

Eu recomendo fazer reclamações em sites do tipo o Reclame Aqui, independente se foi bem atendido ou não. Pois com isso, gera-se uma estatistica para com a Empresa o que é importante. A ocorrência deve ficar descoberta. Pode servir de dica para outros consumidores.

Você pode fazer o Boletim de Ocorrência
ou pelo telefone: (11) 3311-3882
ou pelos e-mails: webpol@policiacivil.sp.gov.br / eletronica@policiacivil.sp.gov.br

Reclamar no Procon
ou pelo telefone: 151 (8h - 17h) (é cobrado pulsos)

Casos especiais:

1 - Telefônica e Speedy
Tal lidera o rank de reclamações em telecomunicações, ao mesmo tempo, em insatisfação em lidar com isso. Atualmente estou com problema no Speedy, e vou ser curto e grosso, pois se perde a paciência. Até a Anatel perdeu, e no primeiro semestre deu um ultimato na "grande crise de conectividade" na Telefônica - Speedy. Com ela seja chato ao dobro, se você sabe que o problema não é em sua casa, e o técnico não resolveu; não siga o protocolo de atendimento padrão deles (que é te enrolar); haja agressivo; reclame para eles; e ao mesmo tempo, faça reclamações nos demais órgãos, e comunique a Anatel.

2 - Prolemas Municipais
Moro em Santo André, mas trabalho em Mauá. Há anos havia um problema de rua esburacada aqui. Todos já haviam desistido de reclamar. O que eu fiz? Fiz um longo e persuasivo e-mail contando os detalhes, e enviei para tudo qualquer e-mail (todos na mesma lista, sem ocultar), quais e-mails:
- secretarias de transporte;
- empresas de transporte;
- órgãos de defesa do consumidor;
- policia rodoviária, municipal, federal;
- órgãos do governo do Estado de São Paulo;
- órgãos da prefeitura de Santo André (que faz divisa na região);
- sobretudo, aos órgãos municipais.
- ESPECIAL, para jornalistas de jornais da região, SPTV, Folha de São Paulo...
Resultado, em menos de 1 mês, 80% dos e-mails foram respondidos, de modo que medidas foram tomadas. Recebi um e-mail, da prefeitura de Santo André, eles mandaram uma equipe e tiraram fotos comprovando o problema e me encaminharam tais... entre outros... e por assim foi. Um pouco mais de 1 mês e recebi um e-mail de alguma Policia me informando que um "processo judicial contra a prefeitura foi aberto". Pouco tempo depois recebi um e-mail e saiu uma notificação no jornal que a Prefeitura de Maua finalmente ia reasfaltar de verdade o lugar. E de fato, agora, faz em torno de 1 mês que estão realmente REFAZENDO a avenida - e bem feito.

3 - Empresas de Transporte
Anote a placa e horário ou o número do onibus, e se possível pegue o nome do cobrador ou motorista. E reclame na empresa. Conheço um caso real, na empresa, onde o motorista da van bateu boca com o funcionário, porque não queria "pegar o caminho mais rápido" e chamou o funcionário de "chato"; no dia seguinte, a empresa trocou o motorista da linha. Devemos realmente pegar no pé, se realmente querermos que as coisas melhorem. E eu já peguei motorista cheirando cerveja, fumando, fazendo barbeiragem, correndo mais do que devia, fazendo manobras indevidas, "não cumprindo horário" (às vezes, dois onibus passando ao mesmo tempo).

Últimas Considerações
Infelizmente, podemos dizer, que, em geral, as pessoas agem como animais acomodadas; que, na maioria das vezes, não vão ter a minima pressa e vontade de resolver seu caso; e que só vão realmente agir, e correr, se você soltar um leão atrás. Só vão agir se forem incomodadas.
É comum você muitas vezes passar e-mails para as pessoas entre outros, e ela olha e ignora o e-mail. Porém, coloque assim no titulo do assunto: "IMPORTANTE (ou URGENTE): Solução ou Processo Judicial". Vamos ver se não irá responder com a devida atenção.

E digo mais, devemos agir como pessoas afetivas e educativas. Jamais devemos pender para a impunidade, mas sim para a punição, a correção; para de resolver com uma piada, rindo do problema, não dando valor nem para as pequenas nem para as grandes causas. Seja com crianças, seja com adultos. Pois ações vão formar o caráter da pessoa. E aí depois não reclame de politicos corruptos e que não resolvem os problemas da população mas apenas os próprios interesses, pois eles nada mais som do que um retrato da sociedade que os elegeu.

Lembre-se que você não está cobrando de uma pessoa fisica, mas de uma pessoa juridica. Não maltrate as pessoas; não xingue; não ofenda; não humilhe. Mas não tenha dó da instituição. A instituição está lucrando milhões, provavelmente, enquanto você está sendo prejudicado. E, infelizmente, muitas só vão tomar alguma atitude, quando a questão mexer com o bolso deles.

E por fim, se de último caso, você realmente quer dar um xeque-mate. Descubra os nomes dos "bam-bam-bams" responsáveis sobre a questão da empresa. E pergunte: "Abro um processo em seu nome, ou no nome da empresa?" Se a pessoa te "virar as costas".

Vivemos em sociedade e se cada um fazer o que bem entender, não dá, virá um caos e os que mais irão sofrer são os que possuem menos "poder" para acionar seus direitos. O que teoricamente, numa democracia, todos deveriam ter igualmente. Se você ver algum bar, vendendo cerveja ou cigarro para de menor, abra a boca, se quiser, nem notifique a local, apenas abra o site e faça um B.O.. Por fim, precisamos ser chatos com um mundo e um bando de adultos que se comportam como crianças mimadas e acomodadas; caso contrário, a seta da tendência estará sempre direcionada ao "pior". - Depois não reclame.
Outro caso de sucesso
Eu havia assinado a coleção Grandes Compositores da Música Clássica da Abril. Mas depois quem disse que eu conseguia cancelar a assinatura? Pelo site era impossível, não havia link, botão para isso, o que era bem diferente da facilidade para assinar. Nem mesmo telefone para isso tinha. Por fim mandei uma mensagem para a Abril SAC eles responderam enrolando e depois passaram um numero de telefone (não 0800) para ligar. Fiquei bravo e me recusava a ligar, perder meu tempo e dinheiro ligando para cancelar uma assinatura; e logo de cara percebi a embromação. Até que fiz uma reclamação no site Reclame Aqui (veja aqui), a Abril retornou, e em menos de 1 mês a situação foi resolvida e fui reembolsado. Contudo abri há 1 semana uma reclamação contra a Telefonica - Speedy e ainda não tive retorno. Segundo que vendo as estatisticas do site Reclame Aqui a Abril resolve e retorna mais de 90% dos casos, já a Telefonica...

19 novembro 2009

Constelação de Órion e a Volta de Jesus

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Para quem é membro da instituição Adventista do Sétimo Dia entenderá bem essa questão. Trata-se de um mal-entendido desenvolvido e pregado – até mesmo por pastores (mais no passado que no presente) – a respeito de uma interpretação de texto equivocada de um parágrafo que Ellen G. White escreveu no livro “Primeiros Escritos”. Porém, com boas intenções, pois geralmente apenas replicaram uma ideia que alguém contou, sem verificar se a ideia era verdadeira.

O trecho:

“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto.”

(página 41)

O mito (mal-entendio):

O mito diz algo parecido com: “Que há um espaço negro crescendo em Órion (mesmo nos dias de hoje), e que os cientistas isso e aquilo, e que será por esse 'espaço' que Jesus irá voltar." Ao mesmo tempo, se associa implicitamente a ideia de quanto mais aumenta o espaço, mais Jesus está próximo de voltar. Não é exagero dizer que, por vezes, tudo que ocorre/relaciona em Órion, estes acabam por relacionar com a volta de Jesus e este texto. Porém, não como algo que lhes fazem 'lembrar da ideia do texto', mas como se fossem 'evidências comprovando de que algo deste tipo está acontecendo'.

A realidade:

Esse mito pode ser facilmente quebrado se lermos com atenção o texto com seu contexto. No contexto, Ellen G. White está se tratando de uma visão que teve sobre os abalos das potestades da Terra e do céu, antecedendo os instantes antes da volta de Jesus. Veja:

“A 16 de dezembro de 1848, o Senhor me deu uma visão acerca do abalo das potestades do céu. Vi que quando o Senhor disse "céu", ao dar os sinais registrados por Mateus, Marcos e Lucas, Ele queria dizer céu, e quando disse: "Terra", queria significar Terra. As potestades do céu são o Sol, a Lua e as estrelas. Seu governo é no firmamento. As potestades da Terra são as que governam sobre a Terra. As potestades do céu serão [verbo: futuro] abaladas com a voz de Deus. [causaEntão o Sol, a Lua e as estrelas se moverão em seus lugares. [primeiros fenômenos observados] Não passarão, mas serão abalados pela voz de Deus.” (idem)

Então, após esta sequencia de eventos que acabamos de ler. Decorre que:
“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus. A santa cidade descerá por aquele espaço aberto.”


Abalo dos corpos celestes

No que o texto diz, no evento da Volta de Jesus, e não gradualmente (como se argumentaria estar ocorrendo hoje) - ou seja, no momento em que Jesus for voltar -, acontecerá um evento magnífico de ordem astronômica, inconfundível e que não será necessário pesquisas e cientistas da NASA para tomar conhecimento, pois será visual e nitído a contemplação do homem comum. [O texto não faz qualquer alusão que será um evento que apenas os sofisticados instrumentos da NASA poderão detectar.] Bem, sabemos que o Sol, a Lua e as estrelas estão constantemente se movendo assim como a Terra, porem seguem uma 'trajetória natural' a qual podemos observar, (como referencia o observador), o sol nascendo no leste se pondo no oeste, o trajeto da lua e das estrelas também, se for observar uma noite a dentro.

Pelo contexto deste texto, não dá para saber se, de fato, o Sol, a Lua e as estrelas são os objetos que irão se movimentar (isto é, sair da sua trajetória natural para algo mais bizarro, o que promoveria muitos eventos gravitacionais estranhos - os quais Deus poderia conter), ou se haveria alguns eventos na superfície da Terra, de modo que, para o ponto de vista do “observador” [o que dá a entender, pois a visão é descrita, como ela observando estes eventos], ao olhar para tais corpos, notaria que eles se moveriam estranhamente (a ideia de refração da luz já abre uma janela de possibilidades de hipóteses de possíveis variações para descrever esta imagem para o observador). Ao mesmo tempo, não dá para se saber se essa imagem seria global ou regional [não por este texto], apesar da volta de Jesus seria de uma visão global, como a Bíblia afirma - mas, no contexto, Ellen G. White não fala sobre isso. Porém, é de supor que se houvesse abalo do Sol para o lado da Terra que é dia, é lógico de se esperar que haveria um abalo observável na Lua e talvez nas estrelas, para o lado da Terra que é noite - ao mesmo tempo.

Bem, então, após esse evento do abalo do 'movimento/trajeto estranho' do Sol, Lua e Estrelas:

“Nuvens negras e densas subiam e chocavam-se entre si. A atmosfera abriu-se e recuou; pudemos então olhar através do espaço aberto em Órion, donde vinha a voz de Deus.”

Em primeiro lugar, vale lembrar que no parágrafo anterior diz que devido ao “soar da voz” é que os eventos ocorreriam. Que eventos? O Sol, a Lua e as estrelas se moveriam; ao mesmo tempo, na própria atmosfera da Terra (ou algo que de algum modo se assemelharia a isto, talvez exoterrestre) aconteceria algum fenômeno muito estranho, que provavelmente de algum modo  pudéssemos ver as estrelas (em especial as que identificam Órion); e talvez não todas se moveriam; pois caso as estrelas da constelação de Órion se movesse, não conseguiríamos identificá-la, pois a constelação perderia sua forma e referências para nós (observadores). E, isto é um ponto importante que fique claro: apenas APÓS esse fenômeno ter ocorrido (sendo que a voz de Deus teria soado); é que então identificaríamos: “PUDEMOS ENTÃO OLHAR através do espaço aberto em Órion”.

Mas o que significa isso?

O que é um “espaço aberto”? Pelo contexto não tem nada a ver com “Buraco Negro”. Pois por definição, buraco negro tem esse nome porque não emite luz. A teoria é que ela possua uma massa tão alta e comprimida, que sua gravidade é extrema de modo que nem a luz escapa. Logo, se fosse um “buraco negro” nós não veríamos NADA; visto que buracos negros, praticamente só são identificados computacionalmente, não são facilmente identificados. Aliás, empiricamente nem se sabe ao certo se de fato existem; é apenas o que a teoria e os dados sugerem. [Como Matemático um pouco mais ligado as Ciências Físicas, afirmo que, ainda hoje, há muitos físicos que não acreditam que os Buracos Negros existam e há outras propostas teóricas para o fenômeno observado.] Além que é totalmente controverso a ideia da cidade de Deus "sair" de um Buraco negro, visto que tal, em geral, considera-se por 'engolir' (não que signifique ter uma 'barriga') as coisas, ao invés de vomitá-las. Claro, Deus, por ser Onipotente pode nos impressionar e sair de um 'buraco negro'. Porém, para nós, observadores da Terra, ao ver isso, não saberíamos que Ele estaria saindo de um buraco negro, pois um buraco negro não é observável para nós. Nós não olhamos para o céu e apontamos o dedo e dizemos: "Olha! Veja aquele buraco negro ali." Logo, é de se esperar que este "espaço aberto" será algum tipo de fenômeno visual para nós, observadores, promovido por Deus; e, qualquer teoria sobre tal, é algo que tende a ser 100% especulação.

Também, fique claro, isto não tem nada a ver com supernovas e estrelas, pois tais não formam “nenhum espaço aberto” (algo que se pode entender como uma porta aberta, 'um buraco', visível ao observador humano); a grosso modo, tais só emitem luz. Quando olhamos para o Sol que nos emite muito mais luz perceptível ao olho humano, não identificamos ou notamos nada que nos remete a uma ideia de 'buraco' ali. A ideia que se tem é que parece um tipo de portal, ou objeto de transporte; do qual poderíamos ver e distinguir (ou seja, EMITIRIA LUZ particular, distinguível, perceptível a olho nu, mesmo para um néscio, assim como quando vemos uma estrela cadente) o que há dentro dele; e que esse "buraco/passagem" seria aberto nesse momento, após o abalo das potestades dos céus que deveria atrair a atenção de quase todo mundo; e, assim as pessoas notariam aquele buraco sendo aberto. Há sim a teoria não comprovada empiricamente dos Buracos de Minhocas, que talvez os buracos negros pudessem produzir caminhos/portais para outros Universos ou regiões do Universo (há muitas especulações sobre isto); porém, ainda assim, tal estaria num buraco negro, e por definição, não emitiria luz, ou seja, não veríamos/identificaríamos este buraco. Logo, é necessário que o que ocorrerá será algo que está além do que aquilo que a nossa atual compreensão dá a um buraco negro.

A ideia que esse trecho mais me propõe é a de comparar a estarmos dentro de um planetário totalmente escuro, breu total, apenas as estrelas vemos; e sem notarmos onde podemos ver a constelação de Órion, e, de repente, uma porta é aberta, ao mesmo tempo, conforme vai abrindo-a, a luz do outro lado (dentro do comodo que a porta nos separa) vai penetrando nosso ambiente escuro e assim vamos vendo aquela "porta se abrindo". [esta experiência fica claro se alguma vez já pode ir num planetário] Se for isso, é totalmente oposto a ideia de um buraco negro.

Note que a visão foi tão estranha que, Ellen G. White não encontrou palavras para descrever. O melhor modo que pode expressar foi "um espaço aberto". Ao meu ver, me assemelha mais a ideia que se via em alguns desenhos antigos, em que se abriam uns tipos de "portais dimensionais" (como nomeavam) no espaço, ou se podia ver 'a nossa dimensão', ou melhor, o nosso espaço-tempo, se quebrando como um espelho. Claro, isso nem mesmo são suposições, apenas algumas ilustrações, para compreender a unica lógica no contexto do texto, para um observador comum e a olho nu, que faria algum sentido isso na perspectiva atual.

O que é esse espaço aberto? Eu não sei, e não tem como saber. Só na hora saberemos. E tal, a grosso modo, não será em Órion. A Constelação de Órion está a uma distância astronômica da Terra – claro não podemos limitar o poder de Deus em questão a velocidade da luz e tudo o mais. Porém, não faz sentido ser em Órion que não é “um lugar especifico” (não existe uma placa: Bem-vindo a Órion... ou "Divisa de ... com Órion") tal é apenas uma constelação que espacialmente não tem sentido, mas  que apenas no ponto de vista do observador na Terra (apenas é uma referência visual). E visto que as dimensões de Órion (além de não ser definido e calculado) são astronômicas. Mas sim o que faz sentido, é que Órion apenas representa a “direção”, a “referência visual” do observador.

Exemplo:

Vá para o litoral; chegue no mar. Avance vários metros da margem. E coloque ali uma bóia grande e alta com um sinalizador bem forte. Depois pegue um barco e se afaste vários quilômetros da margem. E olhe para o sinalizador. Você poderá até dizer que aquela luz vem da praia, da areia, da curta planície, ou da cadeia de montanhas ao fundo.

Pois para o observador, aqui na Terra, visualmente, não faz diferença se a coisa está lá em Órion, seja entre as 3 marias, ou entre alguma delas e Betegeuse; ou se está a muitos e muitos anos luz dali, mais próximo a Terra. Não faz diferença. A única coisa clara que sabemos é que a "referência do observador" e não necessariamente "o local do evento" é Órion.


Cientificismo enganoso
Alguns pastores, entre outros adventistas tomam uma atitude incorreta e incoerente com sua profissão de fé, querendo dar credito às profecias de Ellen G. White por meio de um cientificismo enganoso/forçado e absolutamente especulativo - até mesmo contraditório; criando um contexto muito imaginativo e sensacionalista. De modo que se você for buscar no Google por Constelação de Órion, na primeira página você irá encontrar um monte de coisas (comentários e coisas da Igreja Adventista acerca disso) envolvendo "dados científicos" para induzir o leitor, a entender que lá em Órion, "os cientistas observam [passado/presente] que está acontecendo algo que Ellen White antecipou." - MENTIRA! ENGANO! - E há quem faz isso apenas para tentar dar credibilidade a sua argumentação, palestra, ou simplesmente ao adventismo.

Esta não deve ser a ação/atitude de um adventista. Mas antes estudar atentamente o que diz a Bíblia e os livros de Ellen G. White sem fazer incursões especulativas que removam o contexto criando fantasias absurdas.

Há um bom tempo eu postei o seguinte vídeo no youtube:



E o que aconteceu? Ele foi bombardeado por um monte de supostos adventistas dizendo que "Jesus voltaria dali", "é ali que Jesus habita", e que "os cientistas já comprovaram isso e aquilo...", entre vários outros. (visões distorcidas e especulativas). Ao mesmo tempo, muitas pessoas que não conheciam essa baboseira, comentavam ora pergunta o "Por que falavam isso...", ora ridicularizando. Pois por fim, a pessoa leiga ouve isso de um pastor, acha que é uma super informação e dado cientifico que ninguem no mundo sabe, acha a coisa incrivel - como eu achei - e ai sai falando; porém, no final, isso acaba ridicularizando, sujando a mensagem. Imagine se um astronomo mesmo vê uma coisa dessa? Certamente, ficará com mais receio ainda de dar ouvidos para um adventista sobre a volta de Jesus.


Logo, faço um apelo para os Adventistas, para todos aqueles que gostem ou não dos maravilhosos escritos de Ellen G. White, assim como de suas profecias:

  • Falem da volta de Jesus como a Bíblia e os escritos de Ellen G. White falam;
  • Não falem desta maneira indevida;
  • Não façam usos enganosos/indevidos de cientificismo como propaganda;
  • Se querem colocar algo científico no corpo da mensagem, usem e contatem fontes confiáveis. Se possível, contate alguns cientistas que conhecem o assunto com escolas de pensamento diferentes; se informem com eles sobre as informações;
  • Tente entender, analisar, dirigir um pouco a ideia;
  • Verifique, analise, na medida do possível, o que a referência/texto e contexto, de fato, querem dizer sobre aquilo;
  • Verifique e tenha consciência de até onde o que você diz tem embasamento;
  • Leia primeiro os textos do qual se refere.

Mesmo podendo ser uma informação verdadeira e um fato, se você pegar tal e usá-lo para relacionar com outra coisa que não tem absolutamente nada a ver, aumenta exponencialmente o risco de estar cometendo um grande equivoco, de fazer comparações e conclusões indevidas.


CONCLUSÃO
Todos esses eventos descritos por Ellen G. White sobre a Volta de Jesus, abalos no céu e espaço aberto observável em Órion, nós não sabemos como será. Como todo mundo irá ver isso? Eu não sei. Como o sol irá mudar de lugar? Não sei. Como a lua? Não sei. Como será essas nuvens negras? Não sei. Como será a atmosfera se abrindo como pergaminho? Não faço a menor ideia. Que fenômeno ocorrerá para que todo (ou parte) o mundo possa ver as estrelas e identificar Órion ao mesmo tempo? Não sei. Como será esse "espaço aberto"? Não sei (mas tenho meus palpites que não comento). Como será a voz de Deus que promoverá todos esses eventos? Não sei, todavia estou louco para breve ouvir.

O que sei é o que as Escrituras Sagradas revela: "O que ninguém nunca viu nem ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam." (I Cor. 2:9) O mesmo será a volta de Jesus, não especulemos pois; não limitemos com a nossa atual imaginação e conhecimento este evento imensuravelmente GRANDIOSO, pois tudo será inédito para nossos olhos, nossos ouvidos e nossos mais intangíveis sonhos.

Um grande abraço!
Evandro


13 novembro 2009

Uma experiência sobre a temporalidade e a música

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Uma das coisas mais notáveis em minha vida foi no dia que me dei conta que eu perdi a perspectiva de temporalidade; sobretudo nos âmbitos musicais. Imagine uma criança que cresceu ouvindo apenas MPB, Rock, até Hap, sertanejo, entre outros; de modo, que automaticamente fui programado em considerar que a música era algo que deveria durar uns 3, 4, quando muito, 5 minutos. E que a classificava principalmente em decorrência das seguintes variáveis:
- fama, popularidade da música
- facilidade de ficar gravada na cabeça
- momento: se era mais legal no momento, no contexto cultural da época
- o grau de agitação “a la rebelião” que promovia, que trazia a idéia de que o mundo é uma merda, e só importava seguir o que a banda tocava
- o êxtase do momento

Contudo, músicas que ultrapassassem 5 min. e ficavam cansativas, perdiam sentido; “Que saco!” e logo queria trocar. Também vive num momento cultural onde o máximo era ter um aparelho de som que aceitava vários CD`s, nós compramos um que aceitava 3; ou seja, era música pós música, por 3 cd`s. E assim, um longo período de tempo de vários fragmentos de prazer, vamos assim dizer.

Embora, uma das coisas talvez que destacava meu gosto musical quando adolescente, é que eu gostava de ouvir alguns temas de filme, que fossem curtos. Como o “Indiana Jones”, “Star Wars”, mas que viviam pulando os “momentos lerdos e suaves”; principalmente se a música demorava.

Comecei a desviar desse caminho quando passei a ouvir um repertório mais sacro e religioso. Porém, ainda assim, a questão do temporalismo e precocidade da música continuavam. Eu considerava música de 5min. algo extremamente demorado; é como, nas palavras de Machado, “O leitor quer logo correr para o final.” Ainda não sei explicar bem essa impaciência. Mas foi quando realmente comecei a ouvir um repertório mais clássico que as coisas começaram a mudar; primeiro foi com a 1812 de Tchaikovsky. Era um verdadeiro desafio de inicio ouvir aqueles 17 minutos de música, a mesma faixa do cd. Mas um dia, fiz algo que acho que pouco tinha feito, sozinho em casa, liguei o som num volume considerável, e fiquei ali totalmente concentrado prestando atenção em cada detalhe da música, até o seu fim. Eu fiquei extremamente espantado. Com os olhos arregalados, empacado no lugar enquanto ouvia aquela coisa extraordinária que é como uma escalada que te leva ao clímax da montanha, e mais espantado ainda foi quando percebi que “não vi o tempo passar”, aqueles 17min. foram muito rápidos; é como num sonho, que o tempo parece não existir. E aos poucos foi indo; passei a ouvir mais obras que tinham uma duração de até uns 20min.

O outro grande obstáculo foi ouvir uma sinfonia. Até tinha algumas no computador, como a 5ª do Mahler. Mas eu olhava para aquele número indicando o tempo da obra, e que muitas vezes passavam de 40min. e isso me enchia de pavor: “Como assim, vou ficar 40min. ouvindo a mesma música?!”, “40minutos!!!!! Como pode?”, e mesmo nas primeiras sinfonias, ainda havia muitos restos de temporalismo em mim, os momentos dos segundos movimentos, dos sonetos principalmente, que normalmente são mais um largo, adágio, calmo, melancólico era “um saco poético!” ao meu ver. O tempo simplesmente não passava.

Mas quando ouvi pela primeira vez uma orquestra ao vivo, que se não me engano, foi a o OFSBC, tocando a 5ª de Beethoven; a coisa começou a mudar; pois além da música, eu ficava prestando atenção nos músicos, na quantidade de movimento, detalhe, na concentração deles, na empolgação e regência do maestro. E reparei que pelo menos umas 60 pessoas estavam extremamente concentrados executando “esse tempo inacabável para mim”. Isso foi um choque filosófico para mim, pois passei a considerar a questão de “eternidade”; e comecei a reparar, que não fazia muito sentido em cronometrar uma música, nem tampouco anjos, que vivem e vivem, a eternidade, que também não faria sentido para eles tocarem “curtas”. Aliás, lembro que eu amava uma de comercial chamado “Happys Days”, tipo que uma versão brincadeira do Happy Day, que durava 40 segundos a música. Começou a ter fortes contrastes em meu ser essa idéia de temporalismo e atemporal.

Mas o ponta final foi praticamente quando eu ouvi uma outra sinfonia, ao vivo, dessa vez, pela minha querida Orquestra Sinfônica de Santo André (OSSA), e era a 4ª Sinfonia de Tchaikovsky; mesmo o segundo movimento, e o scherzo, e eu não notei o tempo passar; Aqueles 40min. aproximadamente passaram sem eu perceber, e no final; até mesmo, queria mais. Todos começaram a pedir “Mais um. Mais um.” Batendo palmas, eu também entrei nessa; e eles repetiram o ultimo movimento, de aproximadamente uns 9 minutos, e parece que foi mais rápido ainda.

Daí em diante praticamente rompeu-se totalmente essa idéia temporal. Passei a não me preocupar mais com o tempo de duração, o relógio. E ao mesmo tempo, fui me envolvendo ainda mais com as sinfonias; de modo que passaram a ser momentos que eu gostaria que fosse uma eternidade. O que dizer da 9ª de Beethoven, da 4ª de Bruckner (apesar que confesso que na 7ª eu fiquei com dor de cabeça e não via a hora que terminasse), da 2ª de Bramhs...? Tem hora que no final da música que você fica até meio triste, abalado por perceber que a obra começou a caminhar para uma conclusão, mas você quer mais.

Com isso, 2 coisas interessantes ocorreram. Uma delas é que a vida e a música se transformaram numa outra coisa quando simplesmente o “tempo” praticamente deixou de existir; é quase como que alguns verbos deixassem de existir, como o “demorar”. Os resultados disso é inexplicável; fazer as coisas sem importar-se com o tempo, sem ter em mente nenhum objetivo de “que isso encerre logo, ou encerre em tal horas.” Por outro lado, o efeito contrário foi uma angustia que provocou ao finalmente abrir meus olhos e ver que eu vivo num planeta caído com uma cultura e pessoas de mentalidade temporal; senti um pato fora da lagoa é pouco. Mesmo na própria religião, no qual, de suma importância temos o culto de sábado de manhã, chego por volta das 8h30 e saio por volta das 12h30; umas 4h de duração; e sem temporalismo nenhum, é até meio triste quando chega no final; contudo, há muitos outros que chegam lá 10horas e não vêem a hora que “acabe logo”, sendo que muitos só nos veremos na próxima semana. Ao mesmo tempo, na música também; pois o que se tem atualmente é um mar de músicas temporais e precoces, mesmo as de uso para louvar a Deus (é a intenção) ; nem tanto pelo tempo de duração, pois há muitas obras sacras, como o Aleluia de Handel, que tem por volta de 5min. e você não vê esse temporalismo nela; mas é difícil de se ver algo que escape disso hoje; além, de apenas se ouvir e ver curtas, idéias, musicalmente, mal trabalhadas, rápidas demais. É quase que proibido se tocar um largo na igreja, pois atrasaria todo o restante; fazer algo que dure mais de 7min. e você corre o risco de apanhar. É uma frustração difícil de se medir, e que mal sei como explicar.

Bem logo esse dia vai acabar, e abrirei os olhos para um novo dia que nunca acabará, e o temporalismo deixará de existir.

05 novembro 2009

Com o som de trombetas

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Terça-feira, volto do Campori e confesso que estava com a cabeça a mil, pensando em muitas coisas. Contudo, com uma clareza e facilidade de pensamento tal qual há muito tempo não tinha. Acho que todo aquele sol dilatou minhas artérias e capilares sangüíneos hehe. Estava realmente incrível minha cabeça funcionando, sem stress algum parecia. Escutei um pocado de música clássica, em especial a 4ª sinfonia do Bruckner, e ela não saia da minha cabeça; ficava pensando sobre ela, algumas idéias dela simplesmente não parava de a todo momento propor a minha mente, eu mal dormi de tanto ficar com isso na cabeça.

Quarta-feira e lá estou eu no refeitório, na mesma mesa dos colegas do escritório, porém, eu estava viajando em meus pensamentos; sabe, quando você focaliza o nada com os olhos, parece que está em transe? Em algum momento escutei alguém falando sobre a tal da Profecia Maia que o mundo acabaria em 2012 (quanta bobeira). E aí, foi um pulo para eu começar a pensar na Volta de Jesus Cristo, cujo qual, todo olho verá; ao mesmo tempo, associei algumas idéias dos estudos que estou fazendo do profeta Isaías, e ao mesmo tempo, Bruckner, mais um pouco de Mahler e Tchaikovisk que comecei a pensar na Investidura de Lideres, no Campori.

Alguns dados de umas pesquisas que fiz na Bíblia, quantas vezes aparecem tais palavras:
Trombeta: 113
Clarins: 3
Buzina: 2
Total = 118

Ainda não contei as passagens que apenas associam com a volta de Jesus, eu ainda não contei. Mas então comecei a pensar o que se dá por entender por ser trombetas? Há quem diga que corresponde a família dos metais de hoje (trompa, trombone, trompete, tuba, bombardino...), bem, não há indícios de que naquela época faziam tais com metal, porém, os Romanos já o faziam. Olhando um pouco a história dos metais eu comecei a pensar o que se tem “por claro” uma boa definição ao que seria as trombetas. Na Bíblia temos uma distinção para com as flautas, logo, não é a variável “vibração de ar” que classifica em trombeta. Logo, o que mais fica claro em meu entendimento é que a diferença é que as trombetas são os que tem algum tipo de campana na extremidade e tocados com sopro, por exemplo os chifres; já as flautas aquilo que era de sopro, mas o som saia por buracos feitos em seu corpo. Logo o sax seria mais para uma flauta ou uma trombeta; esses instrumentos já não sei se seriam classificados como trombeta ou flauta, se houvesse na mentalidade bíblica.

Logo, a que trombetas a Bíblia se refere que os anjos tocarão no retorno do Rei? Será que apenas serão trombetas? Não sei. Mas como foi através de visão, creio eu que em tais visões eles viram muitos instrumentos que trombetas é o que mais se assemelharia a tais. Sinceramente, eu não creio que serão como os metais de hoje; talvez produzam sons semelhantes; é comum em “desenhos” sempre usarem como os antigos horns dourados (tipo um trompete triunfal sem pisto que seja dourado); mas nada garante; então a melhor imagem que tenho é que será uma grande diversidade de nipes diferentes, contudo, com campanas e que sejam de sopro.

Além disso, outra questão me chamou a atenção, que é quanto a “quantificação”. De acordo com o relato bíblico, a idéia que temos é que haverão de ser milhões, incontáveis, o número de anjos. De modo, que tende a preencher toda essa imagem que temos da superfície do céu. Logo, se cada um deles tocarem uma trombeta; então o que teremos? A imagem que tenho em mente é que o céu será tomado por campanas de trombetas. Só essa imagem, mentalmente, imaginando, por si, já é assustadora (não no sentido de medo); olhe para o céu agora, e imagine todo esse azul sendo tomado por várias campanas de trombetas, tocadas por anjos! É de arrepiar. Tente se imaginar dentro do contexto do momento da volta de Jesus e deparar-se com essa cena. E tente imaginar como sendo um santo ou um ímpio.

Então tem outra questão que foi a que mais me intrigou os neurônios. Que é quanto a música. Primeiro pensei na 1812 de Tchaikovsky, pensei naquela idéia do presto que há no final; o efeito daquilo, o momento, a idéia, uma multidão enorme de anjos; e apesar que seria uma ótima para um momento como uma investidura de lideres num Campori, não para a volta do Filho de Deus. Então comecei a pensar bem, e as figuras que ficaram mais claras em minha mente foram Mahler e Bruckner. As harmonias bachianas de Bruckner executadas por trombetas, e toda aquela forte variação, idéias claras que vemos, em especial na 4ª Sinfonia e um pouco da 7ª, junto com toda aquela idéia complexa que vemos em Mahler que nos faz pensar no que vai “além” daquilo que o ouvido já ouviu e o olho viu; como aquela tentativa de Mahler de chegar a extremidade do tom de modo a tentar descrever o “não-tom”; e aqueles canglores inesgotáveis dos metais, como vemos na sinfonia 5 e 8 (a dos mil).

Confesso que fiquei muitas horas pensando nisso. E foi quando comecei a associar a questão da quantidade com a música que cheguei numa idéia mais assustadora ainda. Giovanni Gabrieli (1554/5-1612) começou a introduzir a idéia, por exemplo, de colocar uma parte dos instrumentos/coral de um lado e outra do outro da catedral, ou na frente e outra atrás; o efeito disso é extraordinário. Algumas apresentações da 1812 de Tchaikovsky também colocaram alguns trompetes e trombones fora do palco, atrás dos espectadores. Logo, imagine que o céu esteja tomado por uma quantidade incontável de trombetas; de modo que a superfície terrestre é o que produz o eco, logo, a música, os sons das trombetas ecoaram por toda a Terra. Tal experiência nunca foi feita antes; de revestir, como que um cobertor, de trombetas a Terra, e tocar uma música; quantos decibéis? Eu não sei. Talvez a potencia da vibração faça rochas e a terra tremer como que um terremoto.

Que música? Fiquei pensando nisso; e uma idéia muito interessante e até apropriada é a 4ª Sinfonia de Bruckner. Não que será exatamente como ela, mas pegue os prestos, as partes que são consideradas religiosas, de catedral, e não romântica da obra; naquelas que vemos forte presença dos metais. Contudo, no som tocado por um HomeTheater ou Headphone não dá, perde a idéia; é preciso ouvir ao vivo, sendo interpretado por uma orquestra. Felizmente, tive o privilégio de ouvir com a Orquestra Sinfônica de Santo André tocando-a; o nipe eram 4 trompetes (1 era apoio), 3 trombones, 1 tuba e 4 trompas, de metais; e há momentos da música que para realmente apreciar a verdadeira idéia e obra de arte da coisa, você precisa fechar os olhos, nos prestos. Os sons vêm de todos os lados; é uma pluralidade magnífica. É como se você estivesse no breu total, e ai começasse a ver vários brilhos intenções, piscando e brilhando em vários pontos, ora nos cantos, na frente, mais embaixo, em cima... Talvez como se entrasse numa caverna com dezenas de vaga-lumes; só que fossem brilhos intensos. Se compararmos isso a 8ª sinfonia do Mahler; é um número ainda muito pequeno de instrumentos. Como podemos multiplicar esse efeito, o valor, essa idéia, de modo a levar a magnitude de milhões de anjos tocando, que certamente devem ter uma “embocadura, resistência, articulação, volume...” (se a técnica for a mesma) inacreditável? Estão tendo milênios para se preparar para esse grande concerto; no qual irão mostrar toda a glória do Filho de Deus, que irá convencer a todos os corações; tal qual os ímpios irão clamar para as rochas caírem sobre si. Eu arrepio só de pensar nisso.

Outro erro comum de se ver, em alguns que tentam retratar isso. É que normalmente sempre associam a parte musical, das trombetas, como um solo de um trompete. Mas pelo relato bíblico, primeiro temos a idéia de que não será apenas 1, mas uma multidão; e além disso, o que garante que será trompete? Eu imagino uma pluralidade de timbres, especialmente dos mais graves, como a trompa, trombone e tuba. Certa vez, vi no youtube um vídeo de mais de 100 trombones e 40 trompetes tocando uma música, era algo incrível.

Quando tentei mentalizar tudo isso em minha mente, eu quase tive um treco; além de perceber que o “processador estava pifando de tanto esquentar”; até onde consegui imaginar, foi algo simplesmente extraordinário, fantástico, assustador. É de uma tamanha intensidade, como aquele pistão atacando e prolongando aquela nota enfaticamente, até o ponto da morte, na 10ª sinfonia de Mahler.

Outra coisa muito interessante foi algo que sem querer ocorreu ao ficar com a música de Bruckner na cabeça enquanto pensava nisso. De repente, e dou um play novamente na sinfonia de 1hora. E de inicio, aquela trompa, puxando a idéia de forma tão suave, maravilhosa, mas ao mesmo tempo, poderosa; como um nascer de sol; e que vem crescendo, junto as flautas, e ai todos os nipes vêm crescendo juntos, até que entram todos os metais. Naquele momento tive uma luz, a qual me fez questionar a idéia de Bruckner, e do porque, essa música era tão curiosamente romântica (pois aliás, diferente do que se vê por exemplo, de Mahler, da Fantastique de Berlioz). Logo, que ouvi aquele soar minúsculo das trompas, veio em imagem aquele som loginquo, distante, porem, ao mesmo tempo poderoso e certo; a “pequena mancha” que viria da direção da constelação de Orion (sei lá em qual referencial) [para quem conhece do que estou falando...], é o Reino de Deus vindo e chegando a Terra; e aquela coisa vem crescendo e crescendo. E em visão disso, como se encaixa bem o que diz essa abertura da 4ª sinfonia!! É diferente daquela idéia que vemos na Fantastique, no juízo do ultimo movimento; há o teor da hora do juízo ter chegado; mas não será que ela vem com esse canglor, que de fato, nos traz uma simpatia mais bucólica, romântica e alegre; quase que com um sorriso no rosto, Ele diz “Cheguei.”

De fato, a volta de Jesus será um espetáculo único; aguardado por milênios. E se para nós, hoje, que temos todo esse desenvolvimento musical, tanto em músicas, quanto em instrumentos e profissionais músicos; as incríveis orquestras e maestros; além dos grandes compositores, e dessas obras incríveis como Mahler, Bruckner, Tchaikovsky, Brahms, Beethoven, Wagner; nos quais podemos destacar os clarins dos metais (das trombetas); e mesmo assim, ainda será totalmente insignificante comparado a magnitude do que será na volta do Filho do Homem; o que dizer então dos antepassados, daqueles homens onde no máximo contavam com chifres de animais.

Uma festa, um espetáculo, que de fato, não é para ninguém perder e deixar de apreciar. E daí em diante, uma nova Era da Música. O Céu contara com os salvos, aqueles que passaram por uma experiência única de viver num mundo de pecado; os quais terão algo incrível para expressar através de música triunfante, pois não haverá mais espaço para nenhuma tristeza, melancolia, choro; e ao mesmo tempo, nós homens, que provavelmente, nunca mais ouviremos tais músicas feitas por mãos de homens debilitados. Nunca mais será a mesma coisa. No fim, há de se tornar real, o sonho de todo músico; e tal, ainda será infinitamente superado além de tudo aquilo que se podia imaginar e esperar.

E para sentir o gostinho disso, que tal ouvir um pouco dessa idéia desenvolvida pelo mestre compositor Verdi: